Mensagem da Presidente

Dra. Alessandra Gorgulho - Presidente SBRC

Dra. Alessandra Gorgulho
Presidente SBRC

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A Radiocirurgia é uma modalidade terapêutica madura, cujo impacto marcante na qualidade de vida e sobrevida de milhões de pacientes tem sido amplamente reportada nos últimos 64 anos. O conceito de focar radiação ionizante a um alvo intracerebral sem necessidade de abertura do crânio, de maneira minimamente invasiva e com baixa morbidade, foi concebido pelo neurocirurgião sueco Lars Leksell em 1951. Trata-se de uma técnica multidisciplinar, que envolve a participação de neurocirurgiões, radio-oncologistas e físicos médicos. A Radiocirurgia evoluiu com o desenvolvimento computacional e de imagens, permitindo o diagnóstico precoce de lesões cerebrais, ainda sem efeito de massa, portanto passiveis de serem tratadas de maneira não invasiva.

A radiocirurgia é uma técnica robusta, reproduzível, eficiente e segura. Revolucionou o modo de tratarmos metástases cerebrais, malformações arteriovenosas e outros tumores benignos. Trouxe maior segurança e maior eficiência ao manejo dos tumores de hipófise. Criada primeiramente para uso nas patologias funcionais como tremores, dor crônica, dor por neuralgia do nervo trigêmio, as aplicações em doenças funcionais são as que mais crescem recentemente no universo radiocirúrgico. Hoje podemos tratar Tremor Essencial, Parkinson tremor-dominante, Transtorno Obsessivo-Compulsivo refratário e Epilepsia com essa técnica, beneficiando de maneira minimamente invasiva a vida de pacientes que tem suas vidas transtornadas pela presença dessas patologias resistentes ao tratamento clínico. Uma pessoa pode ter seu tremor tratado durante o dia, podendo estar em sua residência à noite, sendo poupada do risco de anestesia e potenciais complicações clinicas resultantes de uma internação.

No campo da oncologia, podemos evitar a irradiação do cérebro total e até a microcirurgia convencional se o diagnóstico das metástases cerebrais for feito precocemente, oferecendo altos níveis de controle local da doença sem necessidade de internação. O tratamento pode ser repetido para novas lesões que apareçam, devido à sobrevida do paciente. Para esses pacientes, a palavra tempo, tão valiosa para todos nós, assume proporções ainda mais especiais e dramáticas, assegurando que eles tenham tempo para desfrutar da companhia de seus familiares com qualidade de vida. O desenvolvimento tecnológico dessa modalidade nas últimas décadas levou à expansão do conceito e da possibilidade de tratamento para o restante do corpo. A radiocirurgia para mestástases de coluna possibilita maior efetividade no controle local do tumor sem sacrificar a medula óssea do paciente. A aplicação da radiocirurgia teve e tem um impacto gigantesco no tratamento oncológico dos pacientes, tanto no sistema nervoso central como em pulmões, próstata, fígado e outros órgãos.

Malformações arteriovenosas com risco aumentado para ressecção microcirúgica podem ser abordadas com maior segurança e com eficácia por esse método. Muito do conhecimento radiobiológico do uso de altas doses de radiação focal em dose única foram acumulados ao longo das últimas 6 décadas com o manejo dessas lesões. Isso possibilitou a expansão da indicação do uso da técnica através do hipofracionamento estereotáxico para malformações gigantes, muitas vezes consideradas inabordáveis.

A experiência no tratamento de tumores benignos, tomando como exemplo os mais frequentes na população, como meningiomas e neurinomas do acústico, resultou em casuísticas na literatura médica de séries com 4.000 a 5.000 casos tratados e acompanhados por 10 anos pós-radiocirurgia. Esse nível de escrutínio científico garantiu à radiocirurgia um lugar de destaque no arsenal terapêutico dessas patologias.

Os exemplos elencados acima corroboram de maneira indiscutível a robustez da técnica quando bem indicada e bem executada. As instituições que ofereçam esse tratamento tem de dispor de toda a infra-estrutura de imagem radiológica de uso terapêutico, equipamentos que realmente tenham sido concebidos para aplicação estereotática da radiação com sistema de precisão submilimétrica para posicionamento do paciente e entrega da radiação, física médica experiente, rotina de testes e dosimetria, time médico composto de neurocirurgiões e radio-oncologistas dedicados à essa técnica e que saibam com maestria selecionar os casos apropriados, decidir sobre o esquema de fracionamento ou escolha de dose única. A rotina de reuniões multidisciplinares contando com a presença de outros colegas especialistas como radiologistas, oncologistas clínicos, neurocirurgiões e radio-oncologistas sem subespecialidade em radiocirurgia, patologistas, enfermeiras deve permear a rotina de um centro de excelência radiocirurgia.

Não é tarefa fácil compor um serviço de Radiocirurgia e, por isso, essa Sociedade Brasileira de Radiocirurgia deve tornar-se cada vez mais presente na realidade da vida do médico radiocirurgiāo, de forma a prover as últimas informações sobre desenvolvimento tecnológico, novos protocolos de tratamento, aplicação da técnica em novas indicações clínicas. A Sociedade precisa ser ativa em ajudar na formação do jovem neurocirurgião, do jovem radio-oncologista e do jovem físico médico interessado na técnica, mantendo o tônus na vigilância constante de controle de qualidade dos serviços.

Temos uma proposta ambiciosa para essa gestão em termos de maior exposição da influência da Sociedade no dia-a-dia dos seus membros e de seus futuros membros, com foco nos jovens em residência e recém-finalizados na residência médica. Acompanhem nossas newsletters pois voltaremos com novidades oferecendo enriquecimento científico e tecnológico aos nossos membros, alternativas de “memberships” diferenciadas e anúncios inéditos sobre os importantes eventos radiocirúrgicos que acontecerão em nosso país em 2018 e 2019.

O próximo Congresso Brasileiro de Radiocirurgia em 2018 ocorrerá conjuntamente com o 3º Congresso Íbero-Latino Americano na bela e ensolarada capital Goiânia, prestigiando o Centro-Oeste brasileiro, região onde florescem serviços de excelência na técnica. Atrairemos ao nosso país os colegas de toda a América Latina bem como Portugal e Espanha!  Pela primeira vez no Brasil, desde a fundação da Sociedade Internacional de Radiocirugia (ISRS) em 1991, o Congresso Mundial de Radiocirurgia de 2019 ocorrerá na eterna cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. Estaremos recebendo a elite da radiocirurgia mundial, após 21 anos da fundação da Sociedade Internacional, em nosso solo. Temos obrigação de oferecer um evento impecável e deslumbrar a comunidade mundial com a genuína hospitalidade e simpatia brasileiras. Conto com a participação e o esforço conjunto de todos de modo a enaltecer nossa Sociedade Nacional e nosso extraordinário Brasil!

 

Dra. Alessandra Gorgulho
Presidente da Sociedade Brasileira de Radiocirurgia
Biênio 2017-2018